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Jornada Continental: ação internacional e organização local

Jornada Continental: ação internacional e organização local

Escrito por: Antônio Lisboa & Janeslei Aparecida Albuquerque Secretários de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais e Relações Internacionais Publicado em: 03/03/2017 • Última modificação: 03/03/2017 - 14:55 Publicado em: 03/03/2017 Última modificação: 03/03/2017 - 14:55

A ofensiva conservadora sobre a democracia, a soberania, a economia e os direitos sociais, que no Brasil se traduziu em um golpe midiático parlamentar e num governo ilegítimo e de retrocessos, está presente em nosso continente e no mundo. A vitória de Trump nos EUA, as políticas de Macri na Argentina, o Brexit na Inglaterra, as tentativas de derrubada do governo venezuelano são apenas exemplos dessa ofensiva em outros países.

Nesse cenário, a “Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo” surge em 2015, no marco dos 10 anos das lutas que barraram a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), como um processo que busca reunir trabalhadores e trabalhadoras, camponeses, mulheres, estudantes, imigrantes e militantes sociais, a partir de suas organizações e de sua disposição para luta. Após uma agenda intensa no ano passado, a jornada prepara um plano de lutas para 2017 e busca se fortalecer como um espaço político aberto à ampliação e de construção da ação unitária de enfrentamento ao conservadorismo e as políticas neoliberais em nosso continente.

Os debates da Jornada estão orientados por quatro eixos interligados que conformam também o parâmetro da nossa unidade. A defesa da: Integração regional como alternativa soberana dos países para fazer frente às tentativas do capital financeiro determinar os rumos das suas economias e também como alternativa civilizatória, internacionalista e organizadora da nossa ação política. A crítica aos Tratados de Livre Comércio (TLCs) que na sua fase atual, buscam se sobrepor aos Estados Nacionais escancarado mercados para produtos e serviços estrangeiros, legando aos países signatários destruição ambiental, perda de soberania e dependência econômica. Um bom exemplo disso é o mercado dos agrotóxicos e transgênicos que faz do Brasil hoje o maior consumidor de veneno no mundo, contaminando nossas terras e envenenando nossa comida. Os tratados querem liberar ainda mais isso, sem consultar ninguém.

Esses tratados são apenas um dos instrumentos das chamadas Empresas transnacionais, conglomerados sem rosto ou nacionalidade, os quais tem compromisso apenas com seu lucro. Essas empresas movimentam recursos maiores que o PIB da maioria dos países e isso da a elas um imenso poder de coação política e econômica sobre governos e parlamentos, exigindo incentivos fiscais, desregulamentação trabalhista, flexibilização de normas ambientais e promovendo a perseguição de povos e comunidades tradicionais. Um bom exemplo da conduta dessas empresas, são as maquilas mexicanas, plantas industriais que não agregam tecnologia aos seus países nem pagam impostos e promovem a superexploração do trabalho, em particular das mulheres. 

O avanço desses instrumentos do capital e a dificuldade dos países em promoverem uma efetiva integração regional têm levado a sucessivos ataques às democracias e a soberania de nossos países. Os processos democráticos, imperfeitos e desequilibrados na maioria dos países, ainda assim são um dos únicos instrumentos que os povos tem para enfrentar esse tipo de ataque aos seus países e suas vidas. Por isso, governos imperialistas e empresas transnacionais não hesitam em lançar mão de quaisquer iniciativas para tirar do caminho os que se opõem a seu projeto. As formas são muitas, a “cooperação” com o sistema judiciário para um seletivo combate à corrupção, o patrocínio a mídia oligopolizada e a movimentos ditos apartidários ou ainda, as portas giratórias indicando seus membros para altos cargos de governos e até mesmo a compra direta de políticos e governantes.

Em 2017 queremos que a Jornada se construa numa crescente de organização e luta. Nosso objetivo será reunir cerca de 10 mil pessoas de todo o continente entre os dias 22 e 24 de novembro em Montevideo. Mas este será o ponto alto da nossa mobilização continental. Antes disso, faremos o lançamento da Jornada continental nos dias 28, 29 e 30 de abril em Bogotá Colômbia, onde também ocorrerá a assembléia da CLOC. No mês de Julio na Nicarágua durante o encontro do Foro de São Paulo faremos a apresentação da Jornada Continental e articulação com os partidos de esquerda e no Brasil o ato mais expressivo está programado para ocorrer durante o Congresso Nacional extraordinário da CUT (Central Única dos Trabalhadores do Brasil).

Mais do que construir os eventos preparatórios e organizar nossa presença em Montevideo no mês de novembro, precisamos desenvolver o debate dos temas da jornada através de iniciativas locais junto aos nossos sindicatos e nos locais de trabalho, com as mulheres, juventude, com os estudantes, os trabalhadores/as rurais e os militantes do movimento social e popular.

Esse é nosso desafio: fazer a luta internacional, sem perder a conexão com a realidade local. Precisamos fazer entender que os donos do capital e seus vassalos no Brasil que tentam acabar com a nossa aposentadoria, querem também abrir os mercados para os bancos internacionais atuarem na previdência. Quando congelam o orçamento público por 20 anos, o fazem apenas para garantir o pagamento de juros ao capital financeiro. E quanto entregam a exploração do pré-sal e a expansão da petrobrás para os estrangeiros, não o fazem em nome da soberania nacional. A resistência ao capital e ao neoliberalismo, se dará através da luta política, com um sindicalismo classista e em nível global!




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