Chega de concessões e de parceria com os patrões!

30/03/2012 - 00:00

Em nome de combater os efeitos da crise mundial no Brasil, o governo federal vem concedendo uma série de benefícios aos grandes empresários, desde isenções

Em nome de combater os efeitos da crise mundial no Brasil, o governo federal vem concedendo uma série de benefícios aos grandes empresários, desde isenções de impostos e juros subsidiados do BNDES até a desoneração da contribuição patronal em folha para a Previdência dos trabalhadores. .

Em 28 de março, na reunião de entidades de servidores federais - que acabavam de fazer passeata de sua campanha salarial em Brasília - com o governo, o presidente da CUT, Artur Henrique, disse ao secretario de Relações do Trabalho: “Só tem restrição orçamentária para nós, não tem para os setores empresarial, financeiro, para o agronegócio, enfim, para setores que vão ao governo fazer lobby. Para enfrentar a crise financeira internacional, por exemplo, o governo desonerou a folha de determinados setores e o resultado foi R$ 90 bilhões a menos nos cofres públicos”.

O companheiro Artur está coberto de razão!

Como explicar, então, que setores importantes da CUT, como a Confederação Nacional dos Metalúrgicos, liderada pelo  sindicato do ABC, participem de uma “união” ou “parceria” com a CNI, FIESP, Abimaq e outras entidades empresariais, mais a Força Sindical, UGT e outras centrais menores, por uma pauta que defende a “desoneração integral do investimento produtivo de todos os tributos federais e estaduais” (“Grito de Alerta em defesa da produção e do emprego brasileiros”, matéria paga na grande imprensa)?

Esse mesmo “manifesto” fala em “retomada da indústria nacional”. Fina ironia, pois no setor automobilístico, por exemplo, 100% das empresas são multinacionais e enviam o lucro obtido aqui para suas matrizes no exterior. O texto “comum”, pelo menos, defende algo para os trabalhadores? Existe apenas uma menção a “ampliar o nível de emprego”, o que, como sabemos, não garante os empregos atuais, nem impede a rotatividade da mão de obra.    

Os empresários usam essa parceria para defender seus interesses de classe: “reduzir o custo Brasil”, “desonerar a folha de pagamento” e manter os salários “competitivos”. Por isso, exigem menos impostos, o que significa menor investimento estatal e arrocho salarial para os servidores públicos.

As organizações dos trabalhadores, e em primeiro lugar a CUT, não podem prestar-se ao papel de massa de manobra dos interesses dos capitalistas. Essa colaboração com as entidades patronais, que não perdem ocasião para manifestar-se contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas, é um tiro no pé da CUT.

Esta parceria com patrões e pelegos da Força Sindical e UGT, apoiada entusiasticamente pelo governador tucano Alckmin, faz manifestação em São Paulo no dia 4 de abril. Nela veremos trabalhadores na rua e no palanque os seus exploradores (como Paulo Skaf, presidente da FIESP) ao lado de dirigentes sindicais!

É hora de romper com essa “união capital-trabalho” e afirmar as propostas da CUT  para defender empregos, salários e direitos diante da desindustrialização: estabilidade no emprego, taxação de importados com similares produzidos aqui, centralização do câmbio (vários tipos de câmbio de acordo com a importância do produto para a economia nacional), melhores salários para alavancar o poder aquisitivo dos trabalhadores e o mercado interno.

É uma plataforma como essa que a CUT deve levantar, unindo todos os setores populares e chamando à unidade de ação inclusive as demais centrais. Mas com toda independência diante de nossos exploradores e inimigos de classe!

 

Tirem as mãos de nossa Previdência Pública e Solidária!

Depois de ter recebido 27 megaempresários e de uma série de reuniões setoriais comandadas pelo ministro Mantega, o governo Dilma anuncia que pode desonerar a  contribuição previdenciária dos patrões de 20% sobre a folha de pagamento em troca de um imposto de 1% sobre o faturamento das empresas.

O que o “Plano Brasil Maior” tinha criado como “exceção” para alguns setores (como têxteis e calçados) vai ser estendido para outros sete (máquinas, móveis, energia, plásticos, ônibus, aviões e naval), e pode virar regra, pois há uma fila de empresários querendo esta “troca”.

A CUT não pode aceitar este ataque contra as bases do Sistema de Previdência Pública no Brasil que é um direito e conquista dos trabalhadores!

Os companheiros e companheiras da CNTSS sabem bem o que significa fazer com que os recursos da Previdência dependam do faturamento das empresas, ainda mais numa situação de crise (queda de faturamento é menos recurso para a Previdência)! O governo diz que se o imposto sobre o faturamento não cobrir o que seria arrecadado com a folha, o Tesouro complementa! Pior ainda, pois os recursos da União, que deveriam ser investidos nos Serviços Públicos, por exemplo, vão suprir o que os patrões deixarem de pagar! É o Estado defendendo o lucro privado com dinheiro público, e criando, artificialmente, um “rombo” na Previdência!

Não são os trabalhadores que devem pagar pelos efeitos negativos da crise mundial em nosso país. Nossos salários, empregos e direitos trabalhistas e previdenciários devem ser defendidos com unhas e dentes pela CUT.

O processo de preparação do 11º Congresso Nacional da CUT já começou e assembleias serão realizadas em toda a base da central: é hora de afirmar a independência de classe da CUT, rompendo a política de parceria com os patrões e levantando as propostas dos trabalhadores! Some-se a esta luta!

 

Contato: julioturra@cut.org.br