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“Israel usa política de apartheid contra os palestinos”

Afirmou Tino, da CUT-Brasil, ao retornar de visita aos territórios ocupados

Escrito por: Leonardo Severo • Publicado em: 17/03/2017 - 17:18 • Última modificação: 17/03/2017 - 17:35 Escrito por: Leonardo Severo Publicado em: 17/03/2017 - 17:18 Última modificação: 17/03/2017 - 17:35

Roberto Parizotti José Celestino Lourenço (CUT) e Maren Mantovani

“Em Israel pude ver o apartheid na sua mais concreta definição. Ainda não estou refeito do choque. Presenciei a política de segregação e de perseguição usada pelos sionistas contra os palestinos, um povo que aspira à sua liberdade”, afirmou o secretário de Cultura da CUT-Brasil, José Celestino Lourenço (Tino), ao retornar nesta semana de uma missão de solidariedade à Palestina.

Ao lado de sindicalistas da Bélgica, Canadá, Espanha, França e Itália, o dirigente cutista visitou cidades israelenses e palestinas, onde dialogou com representantes dos movimentos sindical e social, membros do Parlamento e do Ministério do Trabalho da Palestina. “Junto aos representantes da União Europeia (UE) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) externamos nossa preocupação com os números da política de terror aplicada por Israel”, declarou.

Tino denunciou que muitos palestinos são obrigados a trabalhar em Israel, pois têm sua economia completamente devastada pela ocupação. As empresas israelenses acabam ficando “donas do passe” do trabalhador palestino, uma vez que retêm o cartão que lhes permite passar pelos checkpoints, postos militares de entrada e saída dos territórios ocupados. Sendo assim, o trabalhador precisa se sujeitar às mais terríveis humilhações e explorações, pois do contrário têm o acesso negado. “Se alguém faz algo que contrarie seu patrão, ele lhe tira a concessão. São condições análogas à escravidão”, condenou o dirigente cutista, lembrando que além de ter de se sujeitar a extenuantes jornadas, o palestino necessita sair muito cedo de sua casa, “pois fica horas detido nos checkpoints, só conseguindo retornar muito tarde para o seu lar”. “Enquanto um palestino recebe cerca de 1.500 shekels (US$ 413), um israelense ganha pelo menos 5.000 shekels, que é o salário mínimo, para fazer o mesmo serviço”, exemplificou.

Além disso, explicou Tino, os israelenses controlam toda a água, riqueza mais do que estratégica na região, o que só amplia a dependência dos palestinos dos seus ocupantes. A água também é vital para a produção de alimentos.

Segundo Maren Mantovani, coordenadora das relações internacionais da organização Stop the Wall (Parem o Muro) e que morou oito anos na Palestina, “o que os sionistas fizeram e estão fazendo é uma verdadeira limpeza étnica”. Além dos milhões de palestinos que já foram expulsos, disse, “a construção de um muro de oito metros de altura e a multiplicação dos assentamentos vai isolando cada vez mais comunidades, pressionando a população palestina a abandonar o seu território”.

Infelizmente, destacou Maren, “a diplomacia não tem servido para nada, porque depois das casas palestinas serem demolidas, a ONU se limita a distribuir barracas de camping e fogões para cozinhar”. Enquanto isso, protestou, “milhares são presos por Israel pelo simples fato de denunciarem a ocupação, mulheres dão à luz nos checkpoints por serem impedidas de chegar aos hospitais, sem falar nas prisões sem justificativa e no assédio sexual a que são submetidas pelos soldados israelenses”.

FEIRA DA MORTE

“As armas utilizadas por Israel na repressão, na pele e no sangue dos palestinos, infelizmente são exportadas a países como o Brasil, hoje o quinto maior importador desta tecnologia. Por isso estamos convocando uma mobilização para protestar, de 4 a 7 de abril, no Rio de Janeiro, contra a Feira da Morte, a feira militar em que os israelenses tentarão ampliar a militarização das cidades com a venda de seus armamentos”, declarou Maren. Vale lembrar que, entre outros assassinos, foram os israelenses quem treinaram os esquadrões da morte no México e os exércitos colombiano e guatemalteco para o assassinato e tortura de opositores. Por isso, em todo o mundo, ressaltou, “inúmeras entidades vêm se somando a campanhas como de Boicotes, Desenvolvimento e Sanções (BDS) a Israel, como instrumento de luta contra este Estado racista, colonial e de apartheid”.

Conforme a coordenadora da Stop the Wall, a mobilização em apoio ao povo palestino tem o foco em três pontos: fim da ocupação e da construção do muro; direito de retorno dos palestinos (são milhões expulsos desde 1948) e direitos iguais para os palestinos, com o fim da discriminação dos que vivem dentro de Israel.   

BOICOTE À HP

A transnacional estadunidense HP (Hewlett Packard) é o mais recente alvo da campanha humanitária em defesa dos palestinos. A HP é denunciada por implementar a tecnologia biométrica nos cartões magnéticos dos Serviços de Inspeção Israelense nos checkpoints; no cerco à Faixa de Gaza, com apoio à Marinha israelense; no Sistema Central dos Servidores dos computadores; nos assentamentos ilegais e nos presídios.

Cerca de dois milhões de pessoas já assinaram a petição que denuncia que os produtos fabricados pela HP “são utilizados para a discriminação racial e a segregação dos palestinos por Israel, para facilitar a política de assentamentos israelenses, declarados ilegais pela ONU, em território palestino; facilitar o cruel assédio israelense de bloqueio à população de Gaza e ao encarceramento massivo dos palestinos em Israel”.

“Por isso pedimos a todo o mundo que não compre produtos HP e à CUT-Brasil que se some ao nosso movimento”, concluiu Maren.

Título: “Israel usa política de apartheid contra os palestinos”, Conteúdo: “Em Israel pude ver o apartheid na sua mais concreta definição. Ainda não estou refeito do choque. Presenciei a política de segregação e de perseguição usada pelos sionistas contra os palestinos, um povo que aspira à sua liberdade”, afirmou o secretário de Cultura da CUT-Brasil, José Celestino Lourenço (Tino), ao retornar nesta semana de uma missão de solidariedade à Palestina. Ao lado de sindicalistas da Bélgica, Canadá, Espanha, França e Itália, o dirigente cutista visitou cidades israelenses e palestinas, onde dialogou com representantes dos movimentos sindical e social, membros do Parlamento e do Ministério do Trabalho da Palestina. “Junto aos representantes da União Europeia (UE) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) externamos nossa preocupação com os números da política de terror aplicada por Israel”, declarou. Tino denunciou que muitos palestinos são obrigados a trabalhar em Israel, pois têm sua economia completamente devastada pela ocupação. As empresas israelenses acabam ficando “donas do passe” do trabalhador palestino, uma vez que retêm o cartão que lhes permite passar pelos checkpoints, postos militares de entrada e saída dos territórios ocupados. Sendo assim, o trabalhador precisa se sujeitar às mais terríveis humilhações e explorações, pois do contrário têm o acesso negado. “Se alguém faz algo que contrarie seu patrão, ele lhe tira a concessão. São condições análogas à escravidão”, condenou o dirigente cutista, lembrando que além de ter de se sujeitar a extenuantes jornadas, o palestino necessita sair muito cedo de sua casa, “pois fica horas detido nos checkpoints, só conseguindo retornar muito tarde para o seu lar”. “Enquanto um palestino recebe cerca de 1.500 shekels (US$ 413), um israelense ganha pelo menos 5.000 shekels, que é o salário mínimo, para fazer o mesmo serviço”, exemplificou. Além disso, explicou Tino, os israelenses controlam toda a água, riqueza mais do que estratégica na região, o que só amplia a dependência dos palestinos dos seus ocupantes. A água também é vital para a produção de alimentos. Segundo Maren Mantovani, coordenadora das relações internacionais da organização Stop the Wall (Parem o Muro) e que morou oito anos na Palestina, “o que os sionistas fizeram e estão fazendo é uma verdadeira limpeza étnica”. Além dos milhões de palestinos que já foram expulsos, disse, “a construção de um muro de oito metros de altura e a multiplicação dos assentamentos vai isolando cada vez mais comunidades, pressionando a população palestina a abandonar o seu território”. Infelizmente, destacou Maren, “a diplomacia não tem servido para nada, porque depois das casas palestinas serem demolidas, a ONU se limita a distribuir barracas de camping e fogões para cozinhar”. Enquanto isso, protestou, “milhares são presos por Israel pelo simples fato de denunciarem a ocupação, mulheres dão à luz nos checkpoints por serem impedidas de chegar aos hospitais, sem falar nas prisões sem justificativa e no assédio sexual a que são submetidas pelos soldados israelenses”. FEIRA DA MORTE “As armas utilizadas por Israel na repressão, na pele e no sangue dos palestinos, infelizmente são exportadas a países como o Brasil, hoje o quinto maior importador desta tecnologia. Por isso estamos convocando uma mobilização para protestar, de 4 a 7 de abril, no Rio de Janeiro, contra a Feira da Morte, a feira militar em que os israelenses tentarão ampliar a militarização das cidades com a venda de seus armamentos”, declarou Maren. Vale lembrar que, entre outros assassinos, foram os israelenses quem treinaram os esquadrões da morte no México e os exércitos colombiano e guatemalteco para o assassinato e tortura de opositores. Por isso, em todo o mundo, ressaltou, “inúmeras entidades vêm se somando a campanhas como de Boicotes, Desenvolvimento e Sanções (BDS) a Israel, como instrumento de luta contra este Estado racista, colonial e de apartheid”. Conforme a coordenadora da Stop the Wall, a mobilização em apoio ao povo palestino tem o foco em três pontos: fim da ocupação e da construção do muro; direito de retorno dos palestinos (são milhões expulsos desde 1948) e direitos iguais para os palestinos, com o fim da discriminação dos que vivem dentro de Israel.    BOICOTE À HP A transnacional estadunidense HP (Hewlett Packard) é o mais recente alvo da campanha humanitária em defesa dos palestinos. A HP é denunciada por implementar a tecnologia biométrica nos cartões magnéticos dos Serviços de Inspeção Israelense nos checkpoints; no cerco à Faixa de Gaza, com apoio à Marinha israelense; no Sistema Central dos Servidores dos computadores; nos assentamentos ilegais e nos presídios. Cerca de dois milhões de pessoas já assinaram a petição que denuncia que os produtos fabricados pela HP “são utilizados para a discriminação racial e a segregação dos palestinos por Israel, para facilitar a política de assentamentos israelenses, declarados ilegais pela ONU, em território palestino; facilitar o cruel assédio israelense de bloqueio à população de Gaza e ao encarceramento massivo dos palestinos em Israel”. “Por isso pedimos a todo o mundo que não compre produtos HP e à CUT-Brasil que se some ao nosso movimento”, concluiu Maren.



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