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Sindicato dos Jornalistas de SP completa 80 anos de lutas

Embate pelos direitos da categoria e em defesa da democracia marcam trajetória da entidade

Escrito por: Flaviana Serafim – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo • Publicado em: 18/04/2017 - 18:47 • Última modificação: 18/04/2017 - 18:53 Escrito por: Flaviana Serafim – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo Publicado em: 18/04/2017 - 18:47 Última modificação: 18/04/2017 - 18:53

Cadu Bazilevski

Os 80 anos da trajetória do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) foram marcados na comemoração realizada na noite desta segunda-feira (17), na sede da entidade, no centro da capital paulista. A história do SJSP, fundado em 15 de abril de 1937, é da luta dos direitos da categoria - hoje no combate à pejotização e à retirada de direitos trabalhistas e, há oito décadas, pelo registro profissional e a jornada de cinco horas.

Na avaliação de Paulo Zocchi, presidente do SJSP, o momento em que a entidade completa 80 anos é de desafios, pois os meios digitais mudaram a forma como a informação circula na sociedade, as empresas de comunicação, para serem rentáveis, precarizam o jornalista para cortar os custos do trabalho e, ao mesmo tempo, os direitos trabalhistas estão sob a ameaça das reformas propostas pelo Congresso Nacional.

“As gerações anteriores lutaram para garantir as conquistas que temos hoje e vamos fazer de tudo para barrar a destruição que está em curso. E se perdermos algo, não vamos desistir até lutar para recuperar isso. Nossa luta não para até chegarmos numa sociedade voltada, baseada e calcada nos interesses da maioria da população trabalhadora desse país”, ressaltou o dirigente.

Maria José Braga, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), destacou a importância do SJSP para a vida democrática do povo brasileiro e para a construção de um movimento sindical nacional de jornalistas no país, pois a entidade de São Paulo é referência para outras no Brasil. Ela citou a “vergonha alheia” por profissionais que “vestem a camisa” das empresas de comunicação que estão a serviço do golpe, e pontuou:

“Como jornalistas, temos o dever de mostrar para a sociedade brasileira que o jornalismo é essencial para democracia, para a cidadania e, sem ele, não vamos sair da situação na qual vivemos. A informação jornalística é essencial para a construção do juízo do cidadão, para que possamos viver em democracia”

Presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo recordou que primeira greve geral ocorreu no Brasil há 100 anos e “o governo atual, corrupto e golpista, tenta impor reformas que em três meses podem retirar direitos que foram consolidados ao longo de cem anos de luta. Esse Congresso Nacional não tem moral para fazer as reformas trabalhista e previdenciária e, por isso, a CUT e outras centrais estão chamando a greve geral para o próximo dia 28 de abril”.

Embates de hoje e ontem

No passado ou no presente, o papel da entidade ultrapassa o mundo do trabalho, pois a história do Sindicato também está atrelada à defesa da democracia, seja na ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1937, seja no golpe em curso do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB), que completou um ano neste 17 de abril.

“Foi no Sindicato que se decidiu o culto ecumênico depois do assassinato do Vladimir Herzog. Mais de oito mil pessoas foram à Praça da Sé, apesar do cerco dos militares para dificultar o acesso da população. Foi a partir da luta feita pelo SJSP que a ditadura começou a cair a partir de 1975”, recordou Audálio Dantas, que presidiu a entidade durante os anos de chumbo no país.

Num resgate histórico das oito décadas de fundação, o jornalista também lembrou a greve de 1961, que conquistou o piso salarial da categoria porque, até então, os profissionais sequer ganhavam um salário mínimo.

“Não foi apenas uma declaração de greve, mas a disposição de luta que levou as redações de quase a totalidade dos jornalistas de São Paulo a participar dos piquetes”, disse Dantas. Tentando dispersar os grevistas com bombas de efeito moral e jatos de água dos brucutus, disse o jornalista, os policitais da época “inauguravam o que a Polícia Militar faz hoje com os jornalistas que cobrem as manifestações populares”.

Jornalista há 50 anos, Rose Nogueira, conselheira do SJSP, relatou a história do Sindicato na perspectiva das mulheres, que eram minoria na profissão há algumas décadas, mas hoje representam 62% da categoria, segundo levantamento da Fenaj.

“Quando comecei, havia meia dúzia de mulheres jornalistas. Era muito raro porque a profissão era de homens, de boêmios, de pessoas alternativas na época. Era uma profissão totalmente masculina que foi se feminilizando ao longo do tempo e que mudou porque as mulheres vieram trazer um frescor ao jornalismo”, afirma Rose.

Ela também lembrou a greve da categoria em 1979, quando as mulheres reivindicaram igualdade salarial. “Quando comecei a trabalhar na Rede Globo, só estavam contratando mulheres porque nós ganhávamos menos, éramos mais rápidas na hora de escrever e mais perspicazes na hora de olhar uma imagem”, completa.

Comissão da Verdade dos Jornalistas

O ato dos 80 anos foi marcado, ainda, pelo lançamento do Relatório da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do SJSP. Com a coordenação do jornalista Milton Bellintani Jr., que faleceu em novembro de 2015, o relatório foi concluído com a colaboração de Décio Trujillo Jr. e Thiago Tanji reunindo a biografia de 25 jornalistas desaparecidos ou mortos durante a ditadura de 1964 a 1985.

O documento também traz o depoimento de 22 profissionais do jornalismo que sofreram perseguições durante o regime militar, além de indicação de livros sobre a temática, conclusões e recomendações a respeita da apuração dos crimes e do direito à memória, à verdade e à justiça.

Título: Sindicato dos Jornalistas de SP completa 80 anos de lutas, Conteúdo: Os 80 anos da trajetória do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) foram marcados na comemoração realizada na noite desta segunda-feira (17), na sede da entidade, no centro da capital paulista. A história do SJSP, fundado em 15 de abril de 1937, é da luta dos direitos da categoria - hoje no combate à pejotização e à retirada de direitos trabalhistas e, há oito décadas, pelo registro profissional e a jornada de cinco horas. Na avaliação de Paulo Zocchi, presidente do SJSP, o momento em que a entidade completa 80 anos é de desafios, pois os meios digitais mudaram a forma como a informação circula na sociedade, as empresas de comunicação, para serem rentáveis, precarizam o jornalista para cortar os custos do trabalho e, ao mesmo tempo, os direitos trabalhistas estão sob a ameaça das reformas propostas pelo Congresso Nacional. “As gerações anteriores lutaram para garantir as conquistas que temos hoje e vamos fazer de tudo para barrar a destruição que está em curso. E se perdermos algo, não vamos desistir até lutar para recuperar isso. Nossa luta não para até chegarmos numa sociedade voltada, baseada e calcada nos interesses da maioria da população trabalhadora desse país”, ressaltou o dirigente. Maria José Braga, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), destacou a importância do SJSP para a vida democrática do povo brasileiro e para a construção de um movimento sindical nacional de jornalistas no país, pois a entidade de São Paulo é referência para outras no Brasil. Ela citou a “vergonha alheia” por profissionais que “vestem a camisa” das empresas de comunicação que estão a serviço do golpe, e pontuou: “Como jornalistas, temos o dever de mostrar para a sociedade brasileira que o jornalismo é essencial para democracia, para a cidadania e, sem ele, não vamos sair da situação na qual vivemos. A informação jornalística é essencial para a construção do juízo do cidadão, para que possamos viver em democracia” Presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo recordou que primeira greve geral ocorreu no Brasil há 100 anos e “o governo atual, corrupto e golpista, tenta impor reformas que em três meses podem retirar direitos que foram consolidados ao longo de cem anos de luta. Esse Congresso Nacional não tem moral para fazer as reformas trabalhista e previdenciária e, por isso, a CUT e outras centrais estão chamando a greve geral para o próximo dia 28 de abril”. Embates de hoje e ontem No passado ou no presente, o papel da entidade ultrapassa o mundo do trabalho, pois a história do Sindicato também está atrelada à defesa da democracia, seja na ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1937, seja no golpe em curso do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB), que completou um ano neste 17 de abril. “Foi no Sindicato que se decidiu o culto ecumênico depois do assassinato do Vladimir Herzog. Mais de oito mil pessoas foram à Praça da Sé, apesar do cerco dos militares para dificultar o acesso da população. Foi a partir da luta feita pelo SJSP que a ditadura começou a cair a partir de 1975”, recordou Audálio Dantas, que presidiu a entidade durante os anos de chumbo no país. Num resgate histórico das oito décadas de fundação, o jornalista também lembrou a greve de 1961, que conquistou o piso salarial da categoria porque, até então, os profissionais sequer ganhavam um salário mínimo. “Não foi apenas uma declaração de greve, mas a disposição de luta que levou as redações de quase a totalidade dos jornalistas de São Paulo a participar dos piquetes”, disse Dantas. Tentando dispersar os grevistas com bombas de efeito moral e jatos de água dos brucutus, disse o jornalista, os policitais da época “inauguravam o que a Polícia Militar faz hoje com os jornalistas que cobrem as manifestações populares”. Jornalista há 50 anos, Rose Nogueira, conselheira do SJSP, relatou a história do Sindicato na perspectiva das mulheres, que eram minoria na profissão há algumas décadas, mas hoje representam 62% da categoria, segundo levantamento da Fenaj. “Quando comecei, havia meia dúzia de mulheres jornalistas. Era muito raro porque a profissão era de homens, de boêmios, de pessoas alternativas na época. Era uma profissão totalmente masculina que foi se feminilizando ao longo do tempo e que mudou porque as mulheres vieram trazer um frescor ao jornalismo”, afirma Rose. Ela também lembrou a greve da categoria em 1979, quando as mulheres reivindicaram igualdade salarial. “Quando comecei a trabalhar na Rede Globo, só estavam contratando mulheres porque nós ganhávamos menos, éramos mais rápidas na hora de escrever e mais perspicazes na hora de olhar uma imagem”, completa. Comissão da Verdade dos Jornalistas O ato dos 80 anos foi marcado, ainda, pelo lançamento do Relatório da Comissão da Verdade, Memória e Justiça do SJSP. Com a coordenação do jornalista Milton Bellintani Jr., que faleceu em novembro de 2015, o relatório foi concluído com a colaboração de Décio Trujillo Jr. e Thiago Tanji reunindo a biografia de 25 jornalistas desaparecidos ou mortos durante a ditadura de 1964 a 1985. O documento também traz o depoimento de 22 profissionais do jornalismo que sofreram perseguições durante o regime militar, além de indicação de livros sobre a temática, conclusões e recomendações a respeita da apuração dos crimes e do direito à memória, à verdade e à justiça.



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