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25 de julho: luta e resistência marcam o dia do trabalhador e da trabalhadora rural.

25 de julho: luta e resistência marcam o dia do trabalhador e da trabalhadora rural.

Escrito por: Carmen Helena Ferreira Foro Vice-presidenta Nacional da CUT Publicado em: 25/07/2017 • Última modificação: 25/07/2017 - 12:02 Publicado em: 25/07/2017 Última modificação: 25/07/2017 - 12:02

Não temos nada a comemorar neste “Dia dos Trabalhadores Rurais”. Nem eu e nem todos e todas trabalhadoras rurais da agricultura familiar e os assalariados e assalariadas rurais deste país. Precisamos refletir o momento e pensar novas ações e lutas em defesa da agricultura familiar e camponesa e dos povos do campo, das florestas e das águas do nosso imenso país.

Desde a saída da presidenta Dilma, expulsa por segmentos do mercado financeiro, por grandes políticos empresários, fazendeiros, juristas, advogados e até jornalistas, que apoiaram e financiaram o golpe e agora cobram a conta.

O povo brasileiro vem sendo massacrado com o fim das grandes conquistas da classe trabalhadora, especialmente dos que vivem e sobrevivem da terra. Esta é a verdadeira face da disputa em torno do modelo de desenvolvimento que está em jogo no país.

Lutamos por um desenvolvimento sustentável, centrado na vida humana, no respeito ao meio ambiente, na diversidade dos sujeitos do campo, que tem como centro a produção e reprodução da vida, que garanta a segurança e a soberania alimentar e o fortalecimento da agricultura familiar como estratégia para romper com a lógica do modelo de desenvolvimento capitalista e patriarcal, que privilegia a concentração de terras e da riqueza e a violência no campo brasileiro.

O governo ilegítimo, Michel Temer acabou com o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), Ministério responsável pelas políticas públicas construídas nos governos Lula e Dilma, que transformaram o cenário de profunda desigualdade no mundo rural brasileiro. Políticas e programas que estão sendo esvaziados ou desmontados, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o PNAE (Plano Nacional da Alimentação Escolar), o PAA (Plano de Aquisição de Alimentos) e o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.

A primeira Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada aconteceu ainda em 2016, a chamada PEC do fim do mundo. A Emenda 95 congela por 20 anos os investimentos em políticas sociais, principalmente em educação e saúde. Isto representa a volta do “Estado Mínimo”, situação agravada com a decisão de não destinar os recursos do Pré-Sal para as políticas de saúde e educação.

A aprovação da terceirização e da Reforma Trabalhista, proposta de Reforma da Previdência, que vai acabar com a aposentadoria do povo do campo e da cidade, a sanção da MP 759, que regulamentará a grilagem e ampliará o limite de venda de terras para estrangeiros, entre outras, comprovam ainda mais que esse é o governo do capital e do latifúndio.

Nossa luta é contra este modelo de desenvolvimento que promove destruição, que tem feito aumentar a fome, a miséria e a violência no campo. Um projeto que está sendo imposto ‘guela’ abaixo à classe trabalhadora. Nós lutamos pela Reforma Agrária, que se torna ainda mais distante com o projeto nefasto de Temer, que não foi eleito nas urnas. Para ele, o mais importante é investir no agronegócio e consequentemente na exportação.

Este modelo de desenvolvimento que Temer escolheu para o país visa terra a qualquer custo.

Com isso, pode-se observar o aumento devastador da violência no campo. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, em 2016, foram registrados 1.536 conflitos por terra, pela água e trabalhista no campo, o maior número dos últimos dez anos e 26% superior ao registrado em 2015. Foram 61 assassinatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais e lideranças, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. E, em 2017, os números já assustam. Somente esse ano, 47 trabalhadores rurais foram assassinados em todo o Brasil.

O relatório da Comissão Pastoral da Terra revelou, ainda, o aumento da bancada ruralista no Congresso brasileiro, fator que ajuda a compreender as causas dos conflitos agrários, em que o trabalhador e a trabalhadora rural são assassinados pelos coronéis do mato. É o agronegócio querendo engolir e acabar com a agricultura familiar.

A agricultura familiar é responsável por garantir alimentos saudáveis e de qualidade na mesa do povo brasileiro, já que 75% da produção de alimentos consumidos provêm das propriedades deste setor. A Agricultura Familiar é reconhecida como uma principal estratégia para a produção de alimentos buscando assegurar a garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável para toda a população, levando em consideração as diversas culturas, fortalecendo o espaço rural em sua diversidade econômica, social, cultural e política.

A agricultura familiar é sustentável, produz vida, gera alimento e emprego diferente do agronegócio que produz para exportação, usando venenos, destruindo as terras e as reservas naturais do nosso planeta.

Dos grandes desafios que estão colocados para agricultura familiar um deles é enfrentar a investida que vem sendo feita pelo grande capital, tendo como objetivo privatizar os bens comuns, como a água e a terra, partes essenciais para a produção de alimentos e para o modelo de desenvolvimento que defendemos.  Disputar o modelo de desenvolvimento rural é urgente.

Não há o que comemorar. Há muito pelo que lutar para manter aceso o fogo que alimenta a nossa resistência e que alimenta nosso entusiasmo para lutar por justiça, igualdade e dignidade para todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais deste país.

Por reforma agrária Já!

Fora Temer!

Diretas Já!




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