Israel, regime de apartheid
Publicado: 05 Abril, 2017 - 00h00
A vice-secretária-geral e secretária executiva da Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental (CESPAO) da Organização das Nações Unidas (ONU), Rima Khalaf, concluiu recentemente um informe em que denúncia que, devido às “políticas e práticas”, “Israel é culpado de crime de apartheid, o que exige ação rápida para se opor e acabar com o regime”.
Conheci os territórios palestinos ocupados e pude comprovar a dor e a humilhação presentes no odioso muro do apartheid, nos infames postos de controle, no roubo das terras e da água, na segregação materializada nos assentamentos, na falta de fábricas e hospitais, e também nos assassinatos seletivos de lideranças e nas prisões israelenses, onde são trancafiadas até meninas de 12 anos.
Pela sua relevância, o informe “Práticas Israelenses em Relação ao Povo Palestino e a Questão do Apartheid”, supervisionado por especialistas em direitos humanos, precisa ser lido e compartilhado. Da mesma forma que a exortação de Rima – no posto desde o ano 2000 – em defesa da justiça.
“Guerra, anexação e expulsões, assim como uma série de práticas, deixaram o povo palestino fragmentado em quatro grupos populacionais: três deles (cidadãos israelenses; residentes em Jerusalém Oriental e a população sob ocupação em Gaza e Cisjordânia) vivendo sob domínio israelense e o quarto, de refugiados e exilados involuntários... Esta fragmentação, em conjunto com a aplicação de corpos legais discriminadores, estão no coração do regime de apartheid e serve para enfraquecer a oposição a ele e para velar sua própria existência”, aponta o estudo.
Infelizmente, a verdade dói e fez com que, imediatamente, se iniciasse uma violenta pressão por parte dos sionistas e do governo dos EUA para que o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, rasgasse as conclusões do documento. Como Guterres cedeu, Rima, renunciou a seus cargos na CESPAO após o órgão ter publicado, sob sua supervisão, o informe esclarecedor e demolidor sobre “a dominação com características racistas”. Segundo Rima, “os crimes que Israel segue cometendo contra o povo palestino se configuram em crimes de guerra contra a Humanidade”. Sendo assim, como calar?
Nosso aplauso e nosso respeito à Rima e a todas as vozes que se levantam pela liberdade e pela verdade, defendendo a coexistência pacífica entre os povos. Abaixo o apartheid!