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Vitória de Piñera no Chile representa representa mais um avanço da direita na América Latina

Vitória de Piñera no Chile representa representa mais um avanço da direita na América Latina

Escrito por: Antonio de Lisboa Amâncio Vale Secretário de Relações Internacionais Publicado em: 18/12/2017 Publicado em: 18/12/2017

O bilionário e ex-presidente Sebastián Piñera venceu o segundo-turno da eleição presidencial chilena e foi eleito, neste domingo (17), para mais um mandato. Piñera obteve cerca de 54,5% dos votos válidos, contra 45,5% do seu adversário da coalizão de centro-esquerda que dava sustentação à presidenta Michelle Bachelet, o jornalista e senador Alejandro Guillier. 

A vitória da direita no Chile, ainda que considerada a já tradicional alternância entre centro-esquerda e a direita – que se revezam na presidência do país – representa mais um avanço da direita da América Latina, que já está no poder – seja pela via eleitoral ou pelo golpe – em países importantes da região como Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Peru e México.  

São várias as lições que as forças progressistas da América Latina podem retirar do processo chileno. Em primeiro lugar, o discurso e o programa de Alejandro Guillier não se diferenciava o suficiente do discurso de Piñera que, diga-se de passagem, após o primeiro-turno, realizou um modesto giro ao centro, prometendo diálogo e revendo posições privatistas sobre educação e saúde.

Carregando o desgaste do governo da presidenta Michelle Bachelet, Guillier não foi capaz de empolgar os trabalhadores, as trabalhadoras e a juventude chilena com um discurso que fosse além da moderação e do mero compromisso com uma democracia que há muito tempo não tem se mostrado capaz de atender as reais reivindicações da maioria absoluta da população.

Por sua vez, a nova esquerda organizada na “Frente Ampla”, grande surpresa do primeiro-turno, superando os 20% dos votos para a Presidência da República, além de ter elegido seu primeiro senador e uma bancada de vinte deputados, não se pronunciou claramente em favor de Alejandro Guillier.

 Apesar da candidata à presidência da Frente Ampla, Beatriz Sánchez, ter  afirmado  que considerava Sebastián  Piñera um “retrocesso para o país” e que, de maneira pessoal, ter  declarado seu apoio ao candidato de Bachelet, ela também afirmou que sua coalizão irá para a oposição, independentemente de quem ganhasse o segundo-turno. 

De toda a forma, a maioria das lideranças da “Frente Ampla” não demonstrou grande entusiasmo em aderir à campanha do candidato da centro-esquerda, priorizando movimentos para demarcar suas diferenças com Guillier e Bachelet. Nesse cenário marcado pela apatia e pela falta de firmeza pragmática e de unidade da esquerda e dos setores progressistas, não foi surpresa a expressiva abstenção, de 52% do eleitorado. 

Piñera, apesar dos tímidos acenos ao centro, irá realizar o Governo  para o qual foi eleito: conservador, privatista e comprometido com os interesses de acumulação e concentração de riqueza do mercado financeiro nacional e também internacional.

Assim como aconteceu em outros lugares do mundo, a falta de clareza programática dos setores progressistas não empolgou a maioria da população e contribui, em grande medida, para a alta abstenção – o que possibilitou a vitória de Piñera. que aprendemos com processos políticos como o chileno que apenas através de uma esquerda capaz de dizer efetivamente ao que veio, com uma postura combativa, de luta e com um programa que tenha a coragem de enfrentar privilégios, distribuindo riqueza e poder – democratizado as próprias instituições do estado – é que a América Latina poderá retomar um ciclo político progressista e popular. Não só retomar, mas um novo ciclo que seja capaz de ir além dos limites e contradições do anterior.




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