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10 fatos que ajudaram a marcar a ditadura militar como um período violento

Durante o regime, Brasil foi submetido à repressão violenta, destruição da política democrática, deterioração da economia, arrocho salarial entre outros fatos. Veja na reportagem algumas dessas passagens

Publicado: 02 Abril, 2025 - 14h30 | Última modificação: 02 Abril, 2025 - 14h42

Escrito por: Luiz Cabral | Editado por: André Accarini

Acervo Nacional
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Ao longo de 21 anos, a ditadura militar (1964–1985) deixou marcas profundas na política, na economia e na sociedade brasileira. O período ficou registrado como um dos mais sombrios da história do país, com perseguições, censura, violência e destruição de direitos.

Entre os muitos fatos que marcaram o período, estão as mortes de brasileiros e brasileiras que lutaram pela democracia. O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) apontou que ao menos 434 pessoas morreram ou desapareceram em razão da repressão do Estado. Dessas, 224 mortes foram confirmadas. O número total pode ser maior, considerando a falta de dados consolidados e casos não denunciados por familiares.

Outro fato chocante é que depoimentos de pessoas torturadas que eram usadas diversas técnicas de violência eram usadas, incluindo introdução de besouros vivos nas gargantas ou ânus, choques elétricos, empalação com cassetetes embebidos de pimenta, estupros e o “pau de arara”.

A seguir, dez episódios que marcaram o regime:

  1. Golpe militar e a Marcha da Família

A crise política e econômica que fragilizava o governo de João Goulart serviu de estopim para o golpe de 31 de março de 1964. Em São Paulo, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade reuniu milhares de conservadores favoráveis à deposição do presidente. No dia 2 de abril, o Congresso declarou aberta a vaga à presidência, consolidando o golpe.

  1. AI-1: Poder absoluto ao Executivo

O Ato Institucional n.º 1, promulgado em 9 de abril de 1964, abriu caminho para a consolidação do regime. O texto concedeu amplos poderes ao Executivo, permitindo cassações de mandatos e suspensão de direitos políticos.

  1. AI-2: Eleições indiretas e repressão

O Ato Institucional n.º 2, de 27 de outubro de 1965, determinou que a escolha do presidente passaria a ser indireta, restringindo ainda mais a participação política. Também ampliou o poder do Executivo para cassar mandatos e suspender direitos.

  1. Congresso fechado

O Legislativo sofreu intervenção direta do regime em três ocasiões. A primeira ocorreu em outubro de 1966, quando o presidente Castelo Branco determinou recesso por um mês, sob a justificativa de conter opositores ao governo militar.

  1. AI-5: O auge da repressão

Em 13 de dezembro de 1968, o Ato Institucional nº 5 aprofundou o autoritarismo. Sob a presidência de Costa e Silva, o governo concentrou poderes, suspendeu garantias constitucionais e permitiu cassações e intervenções federais em estados e municípios. O AI-5 abriu espaço para torturas, execuções e desaparecimentos promovidos pelo Estado. 168 deputados tiveram mandatos cassados.

  1. Escândalos e corrupção

No período da ditadura militar aconteceram vários escândalos de corrupção. Um dos mais lembrados foi a da Transamazônica, construída durante o governo Medici. Nessa obra houve uma roubalheira gigantesca, combinada ao desmatamento da  floresta, expulsão dos povos indígenas e seringueiros. Ponte Rio-Niterói, Hidrelétrica de Itaipú, caso Capemi e muitos outros protagonizaram   escândalos e corrupção que mancham a história do país. 

  1. Inflação e arrocho salarial

Entre 1967 e 1973, a economia brasileira cresceu a uma média de 10,2% ao ano, chegando a 12,5% entre 1971 e 1973. Apesar da alta no PIB, a distribuição de renda piorou. Para conter a inflação, o governo aplicou arrocho salarial, reduzindo o poder de compra dos trabalhadores. Era época do chamado Milagre econômico que colocou o país à beira da  miséria

  1. Explosão da Inflação e dívida crescente

A crise do petróleo de 1973 desestabilizou a economia. Era época do chamado Milagre econômico que colocou o país nos trilhos da miséria.

O governo manteve investimentos, gerando aumento da dívida pública, que saltou de 15,7% do PIB em 1964 para 54% em 1984. A inflação disparou, chegando a 223% ao ano no fim do regime.

  1. Censura e repressão cultural

Artistas e intelectuais foram perseguidos. Em 1975, a polícia invadiu o Teatro Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa, prendendo seis pessoas. Também, nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Hélio Oiticica, Jorge Amado e Paulo Freire foram forçados ao exílio.

  1. Atentado do Riocentro

Em 1981 uma bomba explodiu, acidentalmente, dentro de um carro no estacionamento do Riocentro, no Rio de Janeiro, onde acontecia um show de MPB, matando um sargento e ferindo um capitão. A ação, planejada por setores da linha conservadora do regime, tinha o objetivo de culpar grupos de esquerda e frear o processo de redemocratização.