10 nomes que foram importantes no combate à ditadura militar no Brasil
Milhares de pessoas fizeram parte de um sistema de resistência contra o período mais terrível da nossa história. Grande parte delas militou anonimamente, outras ficaram conhecidas na sociedade
Publicado: 03 Abril, 2025 - 12h54 | Última modificação: 03 Abril, 2025 - 13h34
Escrito por: Luiz R Cabral | Editado por: Rosely Rocha

Segundo dados da Comissão de Anistia do Ministério de Justiça e Cidadania, 50 mil brasileiros foram perseguidos pelo regime militar brasileiro no período de 1964 a 1985. Boa parte era de cidadãos comuns que desafiaram a ditadura militar de maneira silenciosa, sem ter seus nomes registrados na história. Esses “heróis anônimos” enfrentaram a repressão com atos discretos, mas decisivos, mantendo viva a luta por liberdade e direitos civis.
Eles operavam em grupos políticos e estudantis que estavam na clandestinidade. Em reuniões secretas, planejavam ações e distribuíam panfletos denunciando os abusos do governo. O combate à censura e à repressão se dava longe dos holofotes, em gestos cotidianos que escapavam ao controle militar: recusavam-se a cantar o hino nacional em eventos oficiais, ofereciam abrigo a perseguidos políticos ou escreviam textos críticos ao regime. Em meio à vigilância e à repressão foram essas atitudes que mantiveram acesa a luta por democracia. Todas essas pessoas merecem o título de heróis brasileiros na luta pela democracia.
Um relatório da Comissão Naacional da Verdade apontou quase 400 nomes de pessoas que participaram, de forma direta e indireta, da batalha contra esse regime político de excecão, não democrático e repressor que deixou o país na escuridão por duas décadas. Além de cidadãos comuns, pais e mães de família, trabalhadores e trabalhadoras, há pessoas que ao longo do tempo ficaram conhecidas na história do país. Veja 10 pessoas, em ordem alfabética, que foram assíduos combatentes na luta contra o regime militar.
- Dilma Rousseff
A ex-presidenta do Brasil iniciou sua militância aos 16 anos. Teve que viver na clandestinidade e em 1970 foi presa pela Operação Bandeirantes e submetida a torturas. Em 2012, Dilma instalou a Comissão Nacional da Verdade, com o objetivo de apurar as violações dos direitos humanos que ocorreram no período entre 1946 e 1988, o que inclui a ditadura militar (1964-1985).
- Dinalva Oliveira Teixeira
Uma das guerrilheiras mais conhecidas do Araguaia, conhecida como Dina, foi uma das vítimas fatais da ditadura militar no Brasil. A baiana, era militante do PCdoB e foi presa, torturada e assassinada em 1974, em Tocantins, enquanto estava grávida.
- Eunice Paiva
Em janeiro de 1971, seu marido, engenheiro e deputado federal cassado pelo AI-5, foi sequestrado, torturado e assassinado nos porões do DOI-CODI no Rio de Janeiro pela ditadura militar brasileira. A partir daí, a advogada tornou-se uma referência feminina na luta contra a ditadura militar e liderou campanhas pela abertura de arquivos sobre vítimas do regime.
- Henfil
O renomado cartunista, teve uma atuação marcante nos movimentos políticos e sociais do país, lutando contra a ditadura, pela democratização do país, pela anistia aos presos políticos e pelas Diretas Já. Era irmão do sociólogo Herbert de Sousa, o Betinho.
- Herbert de Souza
Conhecido como Betinho, teve uma grande atuação em trabalhos sociais no Brasil. Ergueu a bandeira da transformação social, voltado para o sentido da união e da congregação. Ajudou a formar a Ação Popular (AP), um movimento que visava a fundação do socialismo no Brasil. Após o golpe militar de 1964, exerceu grande luta contra a ditadura, atuando em organizações para combater o regime político implantado, motivo pelo qual foi exilado.
- José Dirceu
Iniciou sua militância política no movimento estudantil em 1965, ano em que iniciou seus estudos de Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sendo vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) no período de 1965-66, um ano depois do início do Regime Militar. Em 1966, rompeu com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ajudou na formação paulista das chamadas "Dissidências", em São Paulo a sigla era "DI-SP" (esta organização acabou tendo enorme afinidade política com o grupo de Carlos Marighella, que mais tarde viria formar a Ação Libertadora Nacional). No entanto, Dirceu nunca fez parte dos quadros da ALN.
- José Genoíno
Iniciou sua militância política em 1967 através do Movimento Estudantil, quando cursava as faculdades de Filosofia e Direito na Universidade Federal do Ceará. Na ocasião, quando estava em um congresso estudantil em São Paulo, foi preso por agentes do Deops/SP. Viveu clandestinamente em São Paulo e seguiu com sua militância em oposição à ditadura, agora envolvido com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e a luta armada. Em 1970 passou a integrar a Guerrilha do Araguaia, servindo a este propósito até 1972, quando foi capturado pela repressão em decorrência das grandes ofensivas militares na região.
- Maria Amélia de Almeida Teles
A feminista foi uma das criadoras do jornal “Brasil Mulher” na década de 1970. Amelinha, como é conhecida, foi militante do PCdoB e presa pela Operação Bandeirantes, onde sofreu diversas sessões de tortura pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador ídolo de Bolsonaro.
- Vladimir Herzog
Era diretor de jornalismo da TV Cultura e militava no Partido Comunista Brasileiro, que estava na ilegalidade desde o golpe de 1964. Procurado na sede da TV Cultura na noite de 23 de outubro de 1975, o jornalista se recusou a acompanhar os agentes militares e prometeu que iria prestar depoimento no dia seguinte. Herzog se apresentou para depor voluntariamente no DOI-Codi de São Paulo na manhã de 24 de outubro de 1975. Foi preso e levado para interrogatório sob tortura: choques elétricos, espancamentos e sufocamentos. Ele foi morto nas instalações do destacamento. Os militares divulgaram uma nota oficial que dizia que o jornalista tinha cometido suicídio.
- Zuzu Angel
Diante do desaparecimento de seu filho, O militante do MR-8, Stuart Edgar Angel Jones, a estilista Zuleika Angel Jones iniciou uma campanha de mobilização para encontrá-lo, denunciando as arbitrariedades da ditadura à imprensa internacional. Zuzu Angel morreu em um acidente de carro em 1976