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Com pandemia descontrolada, Brasil chega nesta 4ª a 300 mil mortes por Covid-19

Os números da pandemia no Brasil são os piores do mundo, seja em óbitos ou casos confirmados de Covid-19. DF tem momento de caos com corpos pelo chão de hospitais, já São Paulo bate todos os recordes de mortes

Publicado: 24 Março, 2021 - 11h29 | Última modificação: 24 Março, 2021 - 11h32

Escrito por: Walber Pinto

Divulgação
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Em quase três meses, o Brasil registrou 100 mil vítimas fatais de Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, e com a escalada de mortes e novos registros de casos da doença, o país deve chegar nesta quarta-feira (24) à triste marca de 300 mil vidas perdidas desde o começo da pandemia.

A pandemia segue descontrolada no Brasil, que ainda não tem um comando nacional de combate ao vírus, e o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) ainda ousou fazer um pronunciamento carregado de mentiras em cadeia nacional de TV. E isso nesta terça-feira (23), dia em que o país ultrapassou a marca de 3 mil mortes em apenas 24 horas.

Bolsonaro falou pouco e mentiu muito sobre as supostas ações do governo contra a Covid-19, tentou desfazer a imagem de negacionista e a barreira para a chegada das vacinas, apesar de ter rejeitado por meses propostas de imunizantes e até ter levantado dúvidas, sem provas, sobre a eficácia das vacinas. Foi recepcionado por um imenso panelaço em todo o país.

Brasil chega hoje a 300 mil mortes desde o início da pandemia

Os números da pandemia no Brasil são os piores do mundo, seja número de óbitos registrados ou de novos casos confirmados da doença. Nesta terça-feira (23), com 84.996 novas infecções notificadas, o total de pessoas contaminadas foi para 12.136.615. E com as 3.251 mortes registradas em apenas 24 horas, entre segunda e terça-feira, o total de óbitos desde o início da pandemia foi para 298.843.

O país está atrás apenas dos Estados Unidos, único país a chegar a um nível diário de mortes por Covid-19 tão elevado. O país americano registrou 4.470 mortes em 11 de janeiro de 2021, segundo a Universidade Johns Hopkins.

O quadro da pandemia de Covid-19 no Brasil se agravou nos últimos dias com o sistema de saúde em colapso, sem dar conta de atender todos os pacientes que chegam em estado grave, muitos passam dias em enfermarias lotadas, no chão em alguns locais, até conseguirem uma vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

DF tem corpos pelo chão

No Distrito Federal, o sistema de saúde vive uma situação dramática, com corpos de vítimas de Covid-19 à espera de deslocamento em corredores de hospitais e até expostos no chão. As imagens que circulam pelas redes sociais mostram um corpo ensacado no piso. Em outra situação, há uma vítima da doença já sem vida enrolada em panos, sobre uma maca.

Em números atualizados pelo governo do Distrito Federal, 411 pacientes no aguardam de vaga de UTI para tratamento da doença. Os 432 leitos de atendimento intensivo de hospitais privados estão quase todos tomados, com apenas cinco vagas disponíveis. A pressão recai sobre os 409 leitos de Covid-19 da rede pública.

São Paulo vive momento delicado

São Paulo vive uma situação de calamidade pública. Apesar dos números altos de casos e mortes, o estado não consegue elevar o isolamento social, as pessoas continuam nas ruas.

Nesta terça-feira (23), pela primeira vez desde o início da pandemiao estado de São Paulo registrou mais de mil mortes por Covid-19. Foram 1.021 óbitos em 24 horas. Os dados são assustadores e preocupam as autoridades de saúde do estado.

Em todo o estado, há 28.738 pacientes internados se tratando da doença. Destes, 16.570 estão em enfermarias e 12.168 estão em UTIs.

Fiocruz aponta colapso e defende medidas rígidas por 14 dias

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) através do boletim extraordinário do Observatório Covid-19, divulgado nessa terça, aponta o colapso do sistema de saúde em praticamente todo o país. A instituição pede aos estados medidas imediatas de lockdown.

A instituição sugere que todos estados e cidades classificados em "alerta crítico" por causa da lotação de leitos de UTI devem restringir todas as atividades não essenciais por 14 dias. 

De acordo com os dados do boletim, ocorreram, em média, 73 mil casos diários e 2 mil óbitos por dia na última semana epidemiológica analisada do período de 14 a 20 de março de 2021. O número de casos cresce a uma taxa de 0,3% ao dia e o número de óbitos por Covid-19 aumentou para 3,2% ao dia, um ritmo ainda maior do que o das semanas anteriores.

Com relação às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS, os dados obtidos no dia 22 de março continuam indicando um quadro extremamente crítico no Brasil (a imagem do post mostra a taxa de ocupação de leitos UTI Covid-19 para adultos no SUS).

Com informações de Agências