Escrito por: CUT

CUT e PT perdem João Batista Gomes, uma de suas mais queridas lideranças

Legado de luta e resistência do ‘Joãozinho da CUT’ ficará registrado com destaque na história da Central. Joãozinho também era militante do Partidos dos Trabalhadores

Elineudo Meira

A direção da CUT, bem como seus assessores e assessoras e todo o quadro de trabalhadores, lamenta profundamente a perda de uma das figuras mais amáveis e combativas do movimento sindical, o companheiro, diretor nacional da Central, João Batista Gomes, o Joãozinho da CUT.

Servidor público, João Batista militou no Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep) desde 1988, a partir da organização da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e da Comissão Sindical de Base na Vigilância Sanitária da Prefeitura de São Paulo. Foi diretor de base do Sindsep e estava ssecretário de Assuntos Jurídicos, Econômicos e Pesquisas da entidade.

Vítima de um câncer descoberto há cerca de cinco anos e contra o qual lutou desde então, sem abandonar a luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora. ‘Joãozinho da CUT’ faleceu na manhã desta sexta-feira (4), em São Paulo. O velório serrá realizado neste sábado, 05 de abril das 7h às 11h no cemitério São Pedro, localizado na Av. Francisco Falconi, 837 Vila Alpina.

Guerreiro

Conhecido pelo apelido de Joãozinho, iniciou sua militância nas pastorais da Igreja Católica Nossa Senhora da Candelária, Vila Maria, São Paulo, na década de 1980. Posterirormente filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, militando na corrente 'O Trabalho' do partido. Em nota, o Diretório Municipal de São Paulo do PT manifestou pesar pela morte do companheiro.

Em 1988 entrou na prefeitura de São Paulo como auxiliar de laboratório e já se engajou, naquele momento, em atividades sindicais. Mas o centro da luta era a eleição de Luiza Erundina à prefeitura de São Paulo. Ganhou destaque entre os colegas, fazendo campanha aberta à então candidata, o que sempre foi proibido aos servidores.

Com Luiza Erundina, veio o reconhecimento dos direitos básicos para a categoria e um avanço do SINDSEP, fundado em 1987 de forma “ilegal” e depois legalmente em 1988. Foi nessa época, em 1990, que Joãozinho foi eleito diretor do sindicato e, posteriormente, assumiu o cargo de tesoureiro.

Anos mais tarde, em 1997 foi eleito para a CUT-SP como 1º Tesoureiro. Tornou-se depois Diretor Executivo, Secretário de Políticas Sociais e Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais até 2019. No mesmo ano assume a Executiva da CUT Nacional permanecendo até 2023 pelo agrupamento "Em Defesa da CUT Independente e de Luta".

Em sua trajetória, entres as várias lutas nas quais Joãozinho se engajou, estão a defesa da população, em especial a mais carente, em São Paulo, que sofreu com a privatização do serviço funerário da capital paulista e que resultou em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para os preços praticados, abusivos, voltassem à tabela de antes de 2022, ou seja, antes da privatização dos cemitérios.

Também lutou contra o confisco de 14% dos benefícios de aposentados e pensionistas do serviço público municipal, após reforma previdenciária e ataques às aposentadorias nos mandatos de João Doria e Bruno Covas (PSDB) e Ricardo Nunes (MDB) na Prefeitura de São Paulo.

Atuou em lutas e pautas históricas da CUT como a reforma política, contra a reforma administrativa no serviço público, pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial, entre tantas outras. Foi responsável por várias ações na Central, com destaque para a participação junto à Comissão Nacional da Verdade, das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medoe , em especial na luta contra o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, além da luta contra as reformas Trabalhista, Previdenciária e da lei das terceirizações durante os governo de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Joãozinho sempre esteve presente nas mobilizações não apenas de sua categoria, mas também nas marchas, protestos e greves de outras categorias, defendendo as pautas da classe trabalhadora com o sentimento mais digno do ser humano, a solidariedade.

Em um de seus braços, João Batista Gomes tinha tatuada uma frase do intelectual marxista e revolucionário russo Leon Trotski, em seus momentos de exílio no México. “A vida é bela. Que as futuras gerações a livrem de todo mal, de toda opressão, toda violência e possam gozá-la plenamente”.

João Batista Gomes está e sempre estará em nossos corações.

Joãozinho, presente!