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Fisenge rebate jornal Folha de SP e defende recuperação da engenharia brasileira

Em editorial a Folha criticou a plano do BNDES de recuperação da engenharia nacional. Para a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros o jornal desqualifica empresas nacionais e profissionais sérios

Publicado: 02 Agosto, 2023 - 16h22 | Última modificação: 02 Agosto, 2023 - 16h30

Escrito por: Redação CUT

Petrobras / Divulgação
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Obra da Petrobras

A Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) criticou em nota, a posição do jornal Folha de São Paulo que em editorial promoveu ataques à retomada de financiamentos à exportação de serviços de engenharia brasileira a partir de um plano do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para a entidade, sob o argumento de incentivo à corrupção, o jornal desqualifica um conjunto de empresas nacionais de engenharia e profissionais sérios, comprometidos, honestos e qualificados, ao usar a Lava Jato como parâmetro de conduta das empresas e dos profissionais de engenharia, sem, em nenhum momento, citar o prejuízo de R$ 172 bilhões em investimentos, e os 4,4 milhões de empregos perdidos com a operação.

“Um veículo de comunicação precisa ter responsabilidade ética quando atrela uma narrativa de combate à corrupção com perseguição e criminalização de uma profissão como a engenharia”, diz trecho da nota.

Confira a íntegra da nota da Fisenge

Nesta terça-feira (1º/8), o jornal Folha de S. Paulo publicou o editorial “Vanguarda do atraso”, promovendo ataques à retomada de financiamentos à exportação de serviços de engenharia. As normas estão sendo discutidas, a partir de padrões internacionais, por técnicos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do TCU (Tribunal de Contas da União).

Embora o jornal descreva como “ideia econômica embolorada ou equivocada”, esta política é implementada por diversos países do mundo, considerada pelo BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) e pela OMC (Organização Mundial do Comércio) como fundamental para o desenvolvimento das economias.

Um dos argumentos do editorial é a Lava Jato. Mas, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a operação promoveu o fechamento de 4,4 milhões de empregos e fez o país perder R$ 172 bilhões em investimentos desde o início da operação, em 2014.

As empresas de engenharia do país chegaram a ter 3,2% do mercado internacional de US$ 500 bilhões em 2015, mas participação caiu para 0,5%.

O país deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões de impostos e R$ 20,3 bilhões em contribuição sobre a folha, além de ter reduzido a massa salarial do país em R$ 85,8 bilhões. Ainda segundo o estudo, a Lava Jato “afetou os setores envolvidos diretamente (petróleo e gás e construção civil), mas também uma gama importante de outros segmentos (devido aos impactos indiretos e ao efeito renda)”. A pesquisa revela que a Lava Jato destruiu a imagem da Petrobras (maior empresa brasileira), com perda de R$ 104,321 bilhões, de 2015 a 2017.

Nós, engenheiros e engenheiras, vivemos a devastação das nossas profissões, enfrentando o desemprego, a insegurança alimentar, a precarização das condições de trabalho, o fechamento das empresas nacionais e o fim de políticas estratégicas para o país como o setor naval. Muitos profissionais de engenharia precisaram virar Uber para garantir o seu sustento, rememorando os tempos do auge do neoliberalismo no Brasil na década perdida de 1990 quando o “engenheiro virou suco”.

Havia esperança entre os anos dos governos Lula e Dilma com o fortalecimento da política de conteúdo local que priorizava as empresas nacionais de engenharia, a abertura dos parques de indústria naval, a descoberta do pré-sal. Nesse período, os principais jornais aventavam o “apagão” da engenharia, incentivando a vinda de profissionais de outros países.

Defendemos uma política de reciprocidade para a valorização do corpo técnico nacional da engenharia. Com a Operação Lava Jato e o fechamento das empresas, o desemprego da engenharia viveu o seu auge e ainda lidamos com a fuga de cérebros, devido ao desinvestimento em ciência e tecnologia. O país foi desmontado e a economia desnacionalizada, colocando o Brasil numa posição de subserviência econômica em relação a outros países. A engenharia brasileira é gigante e possui qualificação de excelência para a promoção e qualificação de políticas públicas e infraestrutura.

Sob o argumento de incentivo à corrupção, a Folha de S. Paulo desqualifica um conjunto de empresas nacionais de engenharia e profissionais sérios, comprometidos, honestos e qualificados. Um veículo de comunicação precisa ter responsabilidade ética quando atrela uma narrativa de combate à corrupção com perseguição e criminalização de uma profissão como a engenharia. Repudiamos e abominamos toda prática de corrupção e reivindicamos a punição aos responsáveis como Pessoa Física bem como a rigidez das normas e procedimentos técnicos e administrativos de controle social e contratação. Fechar uma empresa nacional também significa perda de memória tecnológica e de soberania, aprofundando a desnacionalização do país

O anúncio do BNDES representa um fôlego para a retomada da engenharia nacional e do desenvolvimento social e econômico. O que a Folha de S. Paulo chama de “Vanguarda do atraso” nós chamamos de avanço democrático e social. Há que se lembrar que a Folha de S. Paulo é a empresa de comunicação que atuou ativamente durante a ditadura civil-militar do Brasil, contribuindo para violações de direitos humanos, perseguição e censura.

Nós, engenheiros e engenheiras da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros), apoiamos a política de retomada da engenharia brasileira pelo BNDES e nos colocamos à disposição para a construção coletiva em prol de um país soberano, democrático e inclusivo.

 Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge)