Jornalista agredido: entidades pedem Comissão de Ética na Câmara de Porto Alegre
Jornalista Luis Henrique, assessor parlamentar do vereador Jonas Reis (PT), foi agredido pelos vereadores Idenir Cecchim (MDB) e Comandante Nádia (PP), quando fazia imagens na Casa
Publicado: 27 Outubro, 2023 - 12h17 | Última modificação: 27 Outubro, 2023 - 12h25
Escrito por: CUT-RS

As agressões sofridas pelo jornalista negro Luis Henrique Silveira, durante sessão plenária de 9 de outubro na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, não podem ficar impunes. Com esse objetivo, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) entregou na tarde desta quinta-feira (26) uma representação, assinada também pela CUT-RS e 38 entidades sindicais e movimentos sociais, ao presidente do Legislativo municipal, vereador Hamilton Sossmeier (PTB), pedindo que a Comissão de Ética abra uma investigação para apurar as responsabilidades dos vereadores envolvidos e garantir o livre exercício profissional dos jornalistas.
Estiveram presentes a presidente do SindjoRS, Laura Santos Rocha, o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, o diretor regional da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Nunes, o representante do Comitê Gaúcho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Ademir Wiederkehr, a secretária eleita de Comunicação da CUT-RS, Maria Helena de Oliveira, a secretária do SindjoRS, Viviane Finkielztejn, e a representante do Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do SindjoRS, Elaine Barcellos,
Também compareceram o diretor do Sintrajufe-RS, José Carlos de Oliveira, a diretora do Simpa, Beth Charão, o presidente da Associação dos Técnicos de Nível Superior do Município de Porto Alegre (Astec), Irineu Foschiera, os representantes do Fórum das Periferias de Porto Alegre, Julio Pedroso e Fabiano Negreiros, e a representante da Associação dos Juristas pela Democracia (AJURD), Betânia Alfonsin.
Violência não pode ficar impune
A violência contra Luis Henrique, de 60 anos, veio dos vereadores Idenir Cecchim (MDB) e Comandante Nádia (PP). O jornalista trabalha como assessor parlamentar do vereador Jonas Reis (PT) e estava fazendo imagens no plenário, quando foi atacado pela vereadora Nádia, para que interrompesse a filmagem.
“O vereador Jonas interveio em favor do seu assessor, mas a vereadora Nádia, ao deixar o microfone de apartes, fez questão de interpelar o jornalista, chegando a desferir um tapa na mão do profissional que segurava seu aparelho celular”, segundo nota de repúdio divulgada no dia seguinte pelo Sindjors e Fenaj.
“Na sequência, o vereador Cecchim levantou-se do seu assento para também intimidar e agredir o jornalista. As agressões foram registradas por diversos profissionais presentes na sessão, incluindo alguns da própria Câmara de Vereadores”, destaca a nota.
Agressão na CâmaraFoto: Elson Sempé Pedroso /CMPA
Nenhuma agressão a jornalistas pode ser tolerada
“Não podemos tolerar qualquer tipo de agressão, que acaba fazendo com que a nossa democracia e a nossa profissão seja atacada. De maneira alguma este episódio de violência será aceito pelo Sindicato dos Jornalistas e pela Federação Nacional do Jornalistas”, disse a presidente do SindjoRS.
Laura recordou que “não é à toa que nos 250 anos desta Casa foi a primeira vez, que eu saiba, que um jornalista negro foi atacado”. Segundo ela, “mais do que acolher essa causa, viemos aqui trazer essa representação e lembrar que essas situações de violência e racismo não têm mais espaço na nossa sociedade”.
Democracia sem jornalista, sem imprensa livre, não existe
Para o presidente da CUT-RS, “democracia sem jornalista, sem imprensa livre, não existe. Por isso, nós estamos aqui para apoiar, além da solidariedade que prestamos ao jornalista. Aqui não estou representando só a CUT, mas sim mais de 230 sindicatos e federações filiadas que apoiam esse manifesto”.
Câmara-Amarildo1Foto: Cristina Beck/CMPA
“Nós temos essa expectativa de que se dê andamento e esperamos um posicionamento da Câmara Municipal sobre esse episódio, porque isso tem a ver com o que nós defendemos e queremos para a sociedade – o respeito às diferenças -, mas, sobretudo, respeito a essa categoria”, destacou Amarildo.
Para Maria Helena, “é um absurdo usarem o seu poder enquanto vereadores e não sofrerem nenhuma penalidade ou sequer enfrentarem a Comissão de Ética. Então, fica aqui o nosso pedido para que haja uma atenção especial e se faça justiça para esse trabalhador negro”.
Se fosse jornalista branco, isso não aconteceria
O representante do FNDC salientou que a representação entregue “não pode ser engavetada” na Câmara Municipal, observando que as imagens divulgadas são nítidas e comprovam a violência contra o jornalista.
“A sociedade porto-alegrense viu, o Brasil inteiro testemunhou, através das redes sociais, e isso mexeu também com a comunidade negra”, destacou Ademir, que é também secretário de Comunicação da CUT-RS. “Se o jornalista fosse branco, isso certamente não aconteceria”, alertou, defendendo que os vereadores envolvidos sejam investigados pela Comissão de Ética.
O presidente da Câmara recebeu o documento e prometeu levá-lo para a apreciação da Mesa Diretora, que volta a se reunir na próxima quarta-feira, 1º de novembro.
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