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Minha condenação é para negar o direito do povo ser feliz

No ato de lançamento de sua pré-candidatura a presidente nesta quinta (25), Lula elogiou as manifestações de ontem, dia em que o TRF-4 o condenou sem provas e sem crime

Publicado: 25 Janeiro, 2018 - 17h32 | Última modificação: 28 Fevereiro, 2018 - 18h31

Escrito por: Solange do Espírito Santo, especial para a CUT

Roberto Parizotti
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“A minha candidatura só teria sentido se vocês fossem capazes de colocar o povo na rua. E foi o que aconteceu ontem. Por isso, hoje é o dia do ‘aceito’”. 

A declaração é do ex-presidente Lula e foi feita na manhã desta quinta-feira (25), na reunião da Executiva do PT, onde anunciou que aceita ser pré-candidato do partido nas eleições de outubro e agradeceu as manifestações que aconteceram ontem em todo o país em defesa de sua candidatura e da democracia.

“Temos uma arma muito poderosa, que é cobrar deles [os juízes do TRF-4] todo dia onde está a prova, onde está o crime, que quem quer condenar alguém tem que ser por algo concreto”, afirmou Lula, um dia depois de o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmar a sua condenação, mesmo sem crime e sem provas, em ato de lançamento de sua pré-candidatura, na sede da CUT, em São Paulo. 

O evento reuniu mais de 500 pessoas, entre lideranças sindicais, partidárias e dos movimentos sociais, e antecedeu a reunião ampliada da Comissão Executiva Nacional do PT. Ao lado de Lula na mesa do ato, estavam a ex-presidenta Dilma Rousseff, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, o presidente da CUT, Vagner Freitas, governadores e lideranças do PT no Congresso Nacional, e representantes dos movimentos sociais.  

“Ontem não me condenaram por nenhum crime. Foi mais uma ação para negar ao povo brasileiro o direito de voltar a ser feliz, trabalhando e comendo. E minha candidatura não é para me proteger, é para colocar o Brasil nos eixos, governando para pobres, para os negros, para as mulheres ”, disse Lula, reafirmando: 

"Eu sei o que eu fiz, eu tenho coragem de olhar na cara dos meus netos, dos meus filhos e de cada um de vocês. A única coisa que eu posso oferecer a vocês é a minha inocência".

Para Lula, o placar de três a zero na 8ª Turma do TRF-4 não foi contra ele, mas sim o julgamento da forma como ele governou o País, criminalizando a organização política que colocou os pobres no centro do debate econômico. “Os juízes podem até ter ganhado no Jornal Nacional, mas sabem que perderam na consciência do povo brasileiro”, garantiu. 

“Ideia não cabe numa cela, ideia não cabe numa cova. Não se pode condenar a ideia de que o povo sabe que governamos muito melhor do que a elite que já tomou conta deste País”, completou.

Durante sua intervenção, o ex-presidente avaliou que os ataques a ele e a Dilma foram contra as medidas inclusivas de seus governos: “O que me deixa indignado é que somos vítimas de uma trama premeditada, que bateu na tecla da corrupção. É isso que coloca minha honra a flor da pele e não posso aceitar que qualquer canalha me chame de ladrão. Mas minha melhor proteção é minha inocência. E o PT não iria querer um candidato que tivesse roubado. Por isso, duvido que algum dos três juízes esteja com a consciência tranquila”.

Apoio e luta

Antes de o ex-presidente Lula falar ao público que lotou o saguão da sede da CUT, foi dada a palavra aos governadores, parlamentares e lideranças do movimento social e sindical. Todos ressaltaram a importância da mobilização popular para se contrapor à condenação de Lula e à continuidade do golpe. 

Confira algumas das declarações:

“É nas ruas que vamos barrar o fascismo que querem implantar no Brasil, com o sistema judiciário tentando dar as cartas no sistema político. Eles jogaram fogo no País e não cabe a nós o papel de bombeiros. O fascismo se enfrenta nas ruas” (Wadih Damous, deputado federal do PT/RJ).

“Democracia está sendo pisoteada, assim como em 1964, só que em vez da farda, estão vestindo a toga. Mas vamos lutar. Vamos derrotar a reforma da Previdência, a privatização da Petrobras. Nossa bancada estará ao lado dos movimentos sociais e dos trabalhadores para derrotar o golpe”. (Paulo Pimenta, deputado federal do PT/RS).

“O golpe deles fracassou. Está havendo o renascimento do PT e da esquerda. E nós temos que ter clareza de que é com enfrentamento social, mobilização e rebelião popular que vamos barrar os ataques contra nós e contra Lula.”. (Lindbergh Farias, senador do PT/RJ).

“O Maior magistrado do Brasil é o eleitor e só ele pode barrar a violência do Estado contra a população e suas lideranças. Não há afirmação da democracia se não for pela radicalização da democracia, com o povo nas ruas”. (Tião Viana, governador do Acre).

“A única maneira de barrarmos o golpe é irmos para as ruas, é a desobediência civil para não comprometermos as futuras gerações”. (Humberto Costa, senador do PT/PE e líder da oposição no Senado).

“Está claro que não vão parar, porque está havendo a ruptura do pacto de classes. Precisamos reagir e buscar apoio também fora do Brasil, organizando uma rede mundial de líderes”. (Wellington Dias, governador do Piauí).

“Hoje milhões de brasileiros estão com você, Lula, porque você representa a esperança do nosso povo”. (Camilo Santana, governador do Ceará).

“Temos que unir este país, vacinando o povo contra o ódio. E a única pessoa que pode reconstruir o Brasil é Lula”. (Rui Costa, governador da Bahia).

“Resgatar o pacto democrático feito com a Constituição de 1988 é tarefa urgente nossa. Se em 2003, a esperança venceu o medo, agora a esperança vai vencer a injustiça”. (Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais).

“Eles ainda não concluíram a etapa de ruptura da democracia. Tirar Lula é mais uma ação transitória. Temos que lutar em todas as instâncias, usando todos os instrumentos que a democracia oferece. Mas a luta decisiva é a que se trava nas ruas. É lutar, lutar e continuar lutando”. (Dilma Rousseff, presidenta deposta).

“Não temos plano B: Lula é o nosso candidato. Você tem o apoio de parcela expressiva da população, dos movimentos sociais, dos sindicalistas. Ter mais de 40% não é estar isolado e por isso não vamos aceitar passivamente a deciosão do TRF-4”. (Gleisi Hoffmann, senadora do Paraná e presidenta nacional do PT).

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