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CUT: Nota de repúdio aos ataques ao educador Paulo Freire

CUT manifesta seu total repúdio à proposta de retirar de Paulo Freire o título de Patrono da Educação Brasileira.

Publicado: 01 Novembro, 2017 - 23h16 | Última modificação: 06 Novembro, 2017 - 13h30

Escrito por: CUT Brasil

Instituto Paulo Freire
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Paulo Freire é motivo de orgulho ao Brasil.

A CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES vem a público manifestar seu total repúdio à proposta absurda de retirada do título de Patrono da Educação Brasileira conferido ao educador Paulo Freire.  O projeto que o condecorou foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff em 2012. Importante esclarecer que o resultado do pleito para conceder o título na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado foi unânime, com votos de diferentes espectros ideológicos.

O educador, filósofo e intelectual Paulo Freire é uma sumidade e motivo de orgulho ao Brasil. Toda sua vida foi dedicada em prol da educação brasileira.

Nascido em Pernambuco, Freire recebeu inúmeros prêmios importantes, entre os quais o Mohammad Reza Pahlavi Prize de 1975 (http://unesdoc.unesco.org/images/0001/000175/017504eb.pdf), prêmio internacional da Unesco na área de Educação. Seu livro mais famoso e de leitura obrigatória para qualquer profissional da área da Educação, Pedagogia do Oprimido é o único título brasileiro a aparecer na lista dos 100 livros mais requisitados de leituras exigidas pelas universidades de língua inglesa (http://g1.globo.com/educacao/noticia/2016/02/so-um-livro-brasileiro-entra-no-top-100-de-universidades-de-lingua-inglesa.html).

A relevância do conjunto de sua produção acadêmica (http://www.paulofreire.org/acervo-paulo-freire) faz de Paulo Freire o terceiro autor com mais citações registradas noGoogle Scholar, um sistema de ferramentas que organiza artigos científicos, teses de mestrado e doutorado, livros acadêmicos, resumos, bibliotecas de pré-publicações e material produzido por organizações profissionais e acadêmicas para pesquisadores de todo o mundo. Elliot Green, pesquisador da London School of Economics, em sua pesquisa no banco de dados do Google Scholar  revela que Paulo Freire foi citado mais de setenta e duas mil vezes, número bem próximo de seus dois primeiros concorrentes, os estadunidenses Thomas Kuhn, também filósofo, e o sociólogo Everett Rogers.

No atual contexto, em que a direita, movida pelo ódio de classe, tomou de assalto o país, arranca dia a dia nossos direitos trabalhistas, sociais, coletivos e sequestrou até o bom senso,nos causa indignação termos de explicar a sandice de tal proposta promovida pelos cabos eleitorais de Bolsonaro e do movimento ultraconservador que se autodenomina “Escola Sem Partido”.

Os adeptos do discurso autoritário da “Escola sem partido” argumentam que a escola pública é ‘ideologizada’, que os ‘comunistas’ a comandam. Se isso fosse verdade não teríamos uma sociedade tão desigual e não estaríamos na luta para enfrentar o desmonte de direitos fundamentais.

Por isso afirmamos que os sujeitos que compartilham desse pensamento reacionário têm muito a aprender com Paulo Freire que de modo coerente entre reflexão e prática sempre lutou para a libertação de mulheres e homens como seres histórico-sociais, para que durante seu processo de formação desenvolvam o pensamento crítico e sejam capazes de escolher, decidir, se posicionar, intervir na realidade, questionando verdades absolutas. A educação é direito fundamental que nos possibilita desenvolver-nos como seres humanos plenos.

A CUT por meio de sua política de formação defende a educação integral, na qual o trabalho, a ciência, a cultura e a tecnologia são eixos fundamentais para a formação de homens e mulheres com o compromisso de construir uma sociedade inclusiva, verdadeiramente democrática, com trabalho decente e desenvolvimento sustentável.

Nas palavras de Freire: “É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. ” (Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996. P. 26).

Imbuídos do pensamento freireano temos a esperança ativa a nos impulsionar em defesa da educação pública de qualidade, gratuita, universal e transformadora da realidade brasileira para combater sua profunda desigualdade e para fazer enfrentamento a todo desmonte desse direito.

São Paulo, 1º de novembro de 2017.

CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

 


* Clique aqui para assinar a Carta Aberta ao Congresso Nacional em defesa de Paulo Freire.