Protagonismo das mulheres na economia solidária será destaque em debate na CUT
Evento que será realizado em conjunto com a Amesol na próxima segunda-feira (17), destacará a atuação feminina no setor, com trocas de experiências visando estratégias de organização para a economia solidária
Publicado: 13 Março, 2025 - 14h30 | Última modificação: 13 Março, 2025 - 16h09
Escrito por: Luiz R Cabral | Editado por: André Accarini

Com base no compromisso com a Economia solidária no Brasil, a CUT, em parceria com a Associação de Mulheres da Economia Solidária e Feminista (AMESOL), promoverá, nos dias 17 e 18 de março, o debate “Mulheres e Economia Solidária: Caminhos para uma Sociedade Mais Justa e Igualitária”, iniciativa que combinará reflexões e ações sobre o tema.
O encontro pretende estimular o intercâmbio de experiências entre as trabalhadoras, além da construção de propostas coletivas e o fortalecimento do diálogo com o movimento sindical, reforçando o papel da economia solidária como ferramenta de transformação social.
Essa atividade integra as atividades do Mês Internacional da Mulher que a CUT e seus sindicatos e entidades filiadas estão promovendo durante o Mês Internacional da Mulher.
Para Amanda Corcino, Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, é fundamental para a organização das trabalhadoras nesse mercado de trabalho que cada dia mais está precarizado.
“A intenção é promover outro modelo econômico focado no desenvolvimento social, na cooperação e na solidariedade. Com um mercado de trabalho cada dia mais precarizado, a economia solidária se apresenta como uma alternativa para as mulheres que querem empreender e, ao mesmo tempo, ajudar sua comunidade”, pontua a dirigente.
Já Admirson Medeiros Ferro Jr., o Greg, secretário nacional de Economia Solidária da CUT, explica que as mulheres lideram a maioria dos empreendimentos da economia solidária. E isso não é por acaso, ele diz.
O dirigente explica que, de um lado, há a necessidade econômica, do outro, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho com salários mais baixos, maior exposição a diferentes tipos de assédio e, em demissões coletivas, elas costumam ser as primeiras a perder o emprego. Diante desse cenário, muitas acabam na informalidade. Porém, ele prossegue, “quando descobrem que podem se organizar de forma cooperativa, autogestionária, democrática e sustentável — e que isso, além de tudo, funciona economicamente — elas se encantam e fazem da economia solidária um caminho para transformar suas vidas”, afirma.
Atuação sindical
Os organizadores do debate também destacam a importância de sensibilizar dirigentes sindicais sobre a economia solidária como alternativa para trabalhadores fora do mercado formal, promovendo espaços de intercâmbio de saberes e construção coletiva de propostas.
Greg reforça que a economia solidária desempenha um papel estratégico na redução das desigualdades sociais e econômicas, especialmente entre as mulheres. Além das atividades produtivas, como agricultura familiar, reciclagem e artesanato, elas acumulam responsabilidades domésticas e de cuidado, muitas vezes sem o devido reconhecimento. Diante desse cenário, o protagonismo feminino se destaca como elemento fundamental na construção de alternativas econômicas e políticas mais inclusivas.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) tem um histórico pioneiro na promoção da Economia Solidária no Brasil. Em 1999, participou da fundação da Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS-CUT), reforçando o compromisso com um modelo econômico mais justo.
No âmbito da igualdade de gênero, foi a primeira central sindical a adotar paridade na composição de sua direção nacional e estaduais, um avanço conquistado após anos de mobilização das sindicalistas cutistas. A parceria com o movimento feminista, exemplificada na relação com a Marcha Mundial das Mulheres, também reflete essa trajetória.
Programação
O debate tem início na segunda-feira, 17 de março, às 14h. Entre as convidadas estão Helena Singer, socióloga e líder de estratégia de juventude para a América Latina da Ashoka; Bia Schwenck, pesquisadora do Instituto Paul Singer; Amanda Corcino, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Brasil; e Márcia Viana, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP. O debate pode ser acompanhado, também, pelo Youtube. Veja aqui
Simultaneamente, será realizada a Feira de Economia Solidária, um espaço de exposição e comercialização de produtos desenvolvidos por mulheres ligadas a empreendimentos autogestionários. Essa feira estará aberta nos seguintes horários: 17 de março, das 15h30 às 18h, e nos dias 18 e 19, das 11h às 17h.