Escrito por: Alessandra Jorge, do Sintricom SJC e Litoral Norte

Sem pagamento e sem perspectiva de receber salário, greve na Revap entra no 6º dia

Nesta segunda, trabalhadores receberam a informação de que o contrato da Método com a Revap chegou ao fim e que a direção do Sintricom inicia negociações com a nova contratada

Heitor N. Morais

Sem o pagamento do adiantamento, do vale alimentação e muitas dúvidas sobre o salário de outubro, que deveria ser depositado nesta segunda-feira (8), trabalhadores da Método Potencial, terceirizada que presta serviços de manutenção de rotina na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São Jose dos Campos, iniciaram mais uma semana sem saber como irão pagar as suas contas. Em assembleia realizada na portaria P4 da refinaria eles votaram pela continuidade da greve, iniciada na última quarta-feira (3).

Durante a assembleia, o presidente em exercício do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil, do Mobiliário e Montagem Industrial de São José dos Campos e Litoral Norte (Sintricom), Marcelo Rodolfo da Costa, informou que na sexta-feira (5), recebeu ligação da Revap informando que o contrato mantido com a Método não terá prorrogação e que a EQS Engenharia assumirá os serviços prestados. Até esse comunicado, havia uma expectativa por parte dos trabalhadores da Método de uma possível prorrogação por meio de um contrato tampão.

“Vamos tratar dessa transição com as empresas e com a Petrobras para que os valores retidos do contrato com a Método sejam utilizados para o pagamento dos atrasados e das verbas rescisórias”, disse o presidente em exercício do Sintricom.

Desde o início, deixamos claro para todos que não vamos permitir nenhum calote. O dinheiro retido tem que vir para o bolso dos trabalhadores e não ficar gerando lucro para os acionistas.- Marcelo Rodolfo da Costa

“A Petrobrás tem que ser responsabilizada e fazer a parte dela para resolver a situação dos trabalhadores”, completou o dirigente.

Mobilização garante abertura de negociações com a EQS

Ainda na sexta, a EQS Engenharia também fez contato com o presidente do Sintricom, manifestando interesse em conversar sobre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Uma reunião com a empresa acontecerá na tarde desta segunda-feira, por videoconferência.

“Vamos conversar com a EQS para que garanta na contratação a empregabilidade para mão de obra local e cidades da nossa base e priorize os trabalhadores da Método, com todos os benefícios previstos no acordo coletivo vigente. Não vamos permitir a retirada de nenhum direito”, disse Marcelo Rodolfo.

No sexto dia da paralisação, adesão permanece alta e atinge mais de 95% do efetivo da empresa. Levantamento feito pelo Sindicato aponta que apenas 8 dos quase 400 trabalhadores continuam na ativa.

Sindicato e trabalhadores esperam pra hoje proposta de “Confissão de dívida”

Na última quinta-feira em reunião com a diretoria da Método Potencial em São Paulo, foi cobrado pelo Sintricom e pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado de São Paulo (Feticom) a oficialização de uma “Confissão de dívida”, por meio de um aditivo no contrato que a empresa mantém hoje com a Petrobrás. A “confissão de dívida” permitiria que o dinheiro de medições e/ou os valores retidos do contrato com a Refinaria, não seja depositado na conta da Método Potencial e abocanhado pelos bancos/credores. O documento autoriza que o repasse seja feito pela Petrobrás/Revap diretamente na conta dos trabalhadores ou via Sintricom para transferência, garantindo os pagamentos dos atrasados, da 1ª parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em torno de R$ 3 mil e do 13º Salário previstos para o final desse mês, além das verbas rescisórias e outros benefícios acordados.

Mesmo sendo possível e já autorizada pela Justiça em outras Refinarias como na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, e na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), em Araucária-PR, a adoção do procedimento está sendo postergada pela Método Potencial e pela Petrobras. A empresa pediu prazo até hoje para pagamento dos atrasados e também apresentar como irá honrar os seus compromissos com os trabalhadores.

Política de licitação e contratação da Petrobrás contribui para calotes

A postura da Petrobrás nas licitações, que priorizam o menor preço, sem se preocupar com a saúde financeira das empresas contratadas é a maior culpada para os constantes calotes sofridos pelos trabalhadores. No caso da Método Potencial, a situação financeira da companhia também tem ocasionado atrasos em outras refinarias: RPBC, REPAR, na Replan em Paulínia e Província Petrolífera de Urucu, em Coari-AM.  Na Revap, em São José dos Campos, a empresa mantém seu maior contrato no momento, que deve ser encerrado em fevereiro do próximo ano.

Unidade Sindical

A luta dos trabalhadores da Método Potencial pelos direitos recebeu o apoio da coordenação da CUT no Vale do Paraíba e Litoral Norte, comandada pelo sindicalista Zé Carlos dos Condutores e da Feticom, representada pelo vice-presidente, Gilmar Guilhen.

Além disso, sindicatos das mais diversas categorias também têm comparecido às assembleias para prestar solidariedade, entre elas, a diretoria do Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba e do Sindicato da Construção Civil (STIC MOB), de Jacareí, Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos (Sindipetro-SJC), Sindicato dos Papeleiros de Jacareí, e Sindicato dos Vidreiros do Estado de SP.    

Hoje, a assembleia contou com a participação do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba, André da Silva Oliveira (Andrezão), e de vários diretores.