• Kwai
MENU

Mais de 50 unidades de saúde são abraçadas em defesa do SUS

A PEC 143, em tramitação no Senado, pode tirar até R$ 45 bilhões da saúde pública

Publicado: 07 Junho, 2016 - 17h44 | Última modificação: 07 Junho, 2016 - 17h58

Escrito por: Do Saúde Popular

Saúde Popular/Reprodução
notice


Mais de 50 equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) receberam um abraço simbólico em diversas cidades do Estado de São Paulo ao longo desta segunda-feira (6). Trabalhadores, docentes, pesquisadores e estudantes da área da saúde realizaram o ato apelidado de “AbraçaSUS”, com o intuito de chamar a atenção da sociedade para os ataques que o sistema público de saúde vem sofrendo no governo interino de Michel Temer.

Guiomar D. Rodrigues, agente de gestão de políticas públicas na CRSL (Coordenadoria Regional de Saúde Leste), que as novas medidas anunciadas para a saúde pretendem “tirar de nós um direito nosso. O SUS é de todo povo, não escolhe cor, raça, tamanho, potência financeira. E não podemos ficar calados”, alertou.

Já o clínico-geral da CRSL, Sérgio Matsuda, lembrou que o SUS pretende ser “um sistema inclusivo” e que precisa de mais recursos, “não o contrário”. Ele defendeu pressão sobre o Congresso Nacional.

Na mesma linha, a enfermeira Cristina Pardal destacou as diferenças entre a saúde privada e a pública. “Enquanto se aplica 4,5% do PIB para a saúde privada, que abrange um número bem pequeno de pessoas, o SUS cuida da água à saúde mental, da vacinação à alta complexidade, com o mesmo percentual. E é dever nosso, enquanto funcionário público estar ciente e conscientizar as pessoas sobre esse processo que está ocorrendo”.

Em voga no Senado Federal, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 143 pretende retirar a obrigatoriedade de gastos em saúde e educação, no valor de 20% da arrecadação de impostos dos estados e municípios. No caso da União, esse percentual seria de 30%.

A desvinculação das receitas duraria até 2023, de acordo com a proposta. Segundo estimativas do Conselho Nacional de Saúde, caso essa medida for aprovada, a perda para o setor de saúde será de R$ 35 a R$ 45 bilhões já em 2017. Isso representa quase a metade do orçamento anual do Ministério da Saúde, que gira em torno de R$ 100 bilhões. A votação no plenário pode ocorrer já na próxima semana.

Durante o abraço de uma Unidade Básica de Saúde na Zona Leste, a coordenadora Regional de Saúde Leste, Claudia Afonso, explicou a ameaça da PEC 143. “Isso significa que município, estado e União têm um percentual para contribuir em Saúde e Educação. Se não tiver mais isso, o prefeito ‘X’ pode resolver investir apenas 1% na Saúde. O que se traduzirá em aumento da mortalidade infantil, redução de mulheres assistidas em seu pré-natal, fechamento de postos de trabalho. Não podemos esperar retrocessos no SUS “.

 

A atividade fez parte da Semana de Mobilização em Defesa do SUS e da Democracia, com ações sendo realizadas em diversas partes do Brasil. As sedes dos ministérios da Saúde em Belo Horizonte e em Salvador estão ocupados. Na sexta-feira (3), um ato foi realizado o vão livre do Maso, em São Paulo. Em Jo

Em Fortaleza (CE), movimentos da saúde fizeram um ato contra o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), durante uma apresentação dele no Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que ocorre até sábado em Fortaleza (CE). Na ação, chamada de escracho, os

médicos ergueram uma faixa com a frase “Fora Temer”.

Na quarta-feira (1) da semana passada, diversas Unidades de Saúde da Família de João Pessoa, na Paraíba, amanheceram com cartazes e frases escritas nas calçadas denunciando os ataques aos SUS.

Nesta quarta-feira (8), outro ato está marcado para acontecer em frente à Câmara Municipal de São Paulo.